[disfarce seu desprezo]

[let's put a smile on that face]

22 Julho, 2008 · 3 Comentários

 

A primeira impressão que você tem ao sair da sessão de Batman – O cavaleiro das trevas (The Dark Knight, EUA, 2008 ) é de que quadrinhos, realmente, não são coisas para crianças. A trama criada por Christopher Nolan é tão sombria, intensa e bem amarrada que os méritos cinematográficos chegam como conseqüências, nesse que é, sem dúvida, o melhor filme de super herói já feito.

 

Analisando bem, o filme é sobre o caos urbano transformando o ser humano, até então simplesmente colocado em um ponto sem ação, e depois resolvendo arregaçar as mangas e fazer alguma coisa. E do quanto isso pode vir a ser inútil, fazendo toda a justiça se perder em meio a necessidade de conseguir suprir as desilusões com a realidade.

 

Harvey Dent (Aaron Eckhart) era esse ser humano que acreditava, junto ao tenente Gordon (Gary Oldman). Eles dois, junto ao Batman (Christian Bale) são a tríade que faz parte do plano do Coringa (Heath Ledger): mostrar para humanidade que um pouco de caos é o suficiente para fazer com que a irracionalidade latente ao ser humano aflore.

 

Ao tomar para si o manto de Cavaleiro Branco de Gotham City, Harvey Dent é o representante das pessoas que não colocam máscaras para fazer valer o que elas acreditam. Ao ponto de causa no próprio Batman a esperança de que seu trabalho pode ser finalizado.

 

O Coringa (na interpretação devastadora de Ledger) é o ponto detonador da trajetória. Um ser ilimitado, inconseqüente, insano e sem qualquer amor pela vida, o personagem não só é a antítese do Cavaleiro das Trevas. Ele é como uma criação dele, a partir do momento em que o herói decide limpar a cidade do crime. Eles se completam e se merecem.

 

O Coringa é a chama do barril de pólvora que é Harvey Dent. É como um cientista maluco querendo provar, através da loucura, que ele tem poder de destruir o que a gente acredita. Gotham precisa de um novo tipo de criminoso e, como promete, o Coringa vai conseguir dar à ela esse tipo de monstro.

 

Depois de assistir a esse filme, fica a impressão que Batman Begins (2005) é mesmo um prólogo de luxo. Somente depois de sedimentar tão bem os ideais de um herói sem poderes é que seria possível mostrar o quão paradoxal é a sua luta. Esse é o Batman definitivo, com sua história definitiva, com seu vilão definitivo. É um atormentado, mas que esquece desse tormento quando está usando sua capa.

 

É um herói que não mata porque é tão humano quanto a gente (mesmo que a conta bancária seja estratosfericamente maior). Esse filme não diverte, não da forma pipoca que um filme baseado em quadrinhos está acostumado. Aqui não existe teias para pular de prédio em prédio, nem mesmo um corpo resistente à balas e outras coisas.

 

Você não fica bem ao assistí-lo, se realmente entende super-heróis como criações que vão além dos balõezinhos surgindo em papel. Ele te põe a pensar na necessidade de termos alguém que nos induza ao caos, para medirmos nosso amor a vida, mas, ao mesmo tempo, mostra que o excesso (a gente pode lembrar de crianças nos morros cariocas segurando fuzis) é algo que nos faz perder os limites. E, não importa se escondendo o rosto ou não, todos nós precisamos deles.

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[cavaleiro de gotham]

15 Julho, 2008 · 2 Comentários

 

 

Como se não bastasse toda a publicidade envolvida na divulgação de Batman – O Cavaleiro das Trevas, a Waner Bros. ainda deu um jeito de causar mais comoção entre os fãs quando anunciou a produção de Batman – Gotham Knight. A compilação de seis pequenos animes que fazem ponte entre os dois últimos filmes do héroi ganhou produção de Bruce Timm, considerado o maior especialista em Batman na televisão e envolveu estúdios responsáveis por clássicos como Ghost in the Shell e Paprika.

 

O resultado não poderia ser menos do que empolgante. Apesar das histórias não fugirem da noção certinha hollywoodiana, os traços que foram responsáveis por colocar Batman nos animes nunca ficam abaixo do perfeito. Os seis animes são curtos e não mantém uma ligação, nem servem para tapar buracos. Ao contrário, elas surgem como demonstração de que o trabalho do Vigilante de Gotham não fica restrito às cartas do Coringa e sim à vários outros aspectos que permeiam a sua própria história, sua relação com a cidade e, mais ainda, como ele se envolve com a polícia de lá.

 

Elas ficaram à cargo do produtor Jordan Goldberg, com roteiros de artistas que já trabalham com o universo do Morcego, como Brian Azzarello, David S. Goyer, Alan Burnett e Greg Rucka. Ao se concentrarem nos aspectos que formam o héroi na manutenção da sua caçada ao crime, que foi iniciada em Batman Begins, vemos os diversos ângulos que o formam. Por exemplo, em “Have I got a story for you”, jovens que presenciaram o morcego em ação falam como cada um o enxergam.

 

Há também o contato mantido pelo Batman com a polícia de Gotham, principalmente a sua relação com James Gordon (como em “Darkness Dwells”), além da luta com vilões clássicos, como o Espantalho, o Crocodilo e, no episódio em que ele aparece mais estiloso, com o Pistoleiro (em “Deadshot”). Batman – Gotham Knight não é algo que você precise ver para entender o novo filme e nem a salvação do héroi nas animações, até porque suas passagens nos desenhos sempre foram muito competentes.

 

Entretanto, colocar o Morcego em meio aos traços dos animes e, principalmente, permitir que os estúdios desenvolvam as suas visões do personagem, mesmo que podadas pelos roteiros, garante um vislumbre interessante de como seria pôr Batman durante mais tempo passeando por esse estilo de animação. E, claro, sempre é legal ver o quanto Gotham City, diferente e igual para cada um dos estúdios, é um dos pilares que moldam o que o Batman é.

 

 

 

 

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[a gente se encotra nos camarotes]

8 Julho, 2008 · 10 Comentários

 

Daí que o Piauí Pop acabou e eu só quis ir um dia. Na tamanha indecisão entre ver NX Zero na sexta ou Enne no sábado, resolvi ir no domingo, ver todas as putas e viados (e sapa-caixas) desesperando pela Ana Carolina e, por vontade própria, curtir o Monobloco, única atração que eu realmente tinha vontade de ver.

 

O lance era ficar bebendo na casa da Aline até chegar numa hora em que os ingressos iam estar mais baratos. Mas, quando a gente percebeu da casa que a Ana começava a tocar, resolvemos correr para ouvir o nosso hino Rosas (eu nunca entendi bem porque a galera resolveu gongar essa música, mas fica a dica). Eu e a Izabel não conseguimos comer ninguém influente credenciais de jornalismo, então compramos o nosso na mão de cambistas.

 

Quarenta reais depois, lá estávamos nós subindo ao Olimpo piauipopeiro: os camarotes. Caminhando por entre deputados, artistas (sic) da tv local, empresários e suas respectivas senhoras e muita mulher bonita (algo que não era somente lá de cima, mas de todo canto), achamos um belo dum camarote abandonado com um barril de chopp.

 

Um olhar entre si e, claro, entramos mermo na maior e ficamos lá acompanhando todos os sucessos da carreira da nossa ilustre Ana Carolina, inclusive o hit “É isso aí”, sem a presença de Seu Jorge, “Garganta”, em que ela, com uma jogada das suas madeixas ruivas, disse que ia comer a gente (/die) e, finalizando o show, “Elevador”, subindo bem alto e gritando que era amor.

 

Com o fim da apresentação os viados e putas donos do camarote voltaram e, gentilmente, fomos obrigados a sair por um segurança que, de acordo com a Aline (que já havia dado um jeito de subir, dando para as pessoas certas), tinha sobrancelhas muito bem feitas, o que garantia que ele se montava. Mas aí, quem mais tava se importando, não é mesmo?

 

Nos posicionamos na porta do lugar que a gente tava (vai que eles saiam de novo?) e montamos a primeira pipoca de camarote da história: cinco lisos desinfluentes que se valeram de qualquer pessoa com quem já tivesse trocado um scrap no orkut pra conseguir mais cerveja. E, para ser franco, descobri que o lance é adicionar todo mundo e se fazer de íntimo.

 

Negada de bolo passava cumprimentando a gente e, claro, deixando cair um pouco de ambrosia nos nossos copos. E, mermo se tratando de Nova Schin e Nobel, mánemmorto que a gente dispensava. Detalhe importante: na maior cara de pau, troquei de camisa com um amigo meu que (phyno) estava no camarote Prisma (um dos tantos chiques do local) e, benza deus, matei o diabo da fome que me dominava desde a tarde.

 

Lá dentro? Whiski, sushi, uma carninha lá que a gente bota no pão que era boa danada, uns patês estranhos que eu colocava num pão árabe que tinha uma carninha dentro (acho que era só carne moída, mas eu super achei digna), torrada mermo e um bando de gente que não dava pra ver porque era muito escuro.

 

Enquanto eu contrabandeava o lanche do pessoal, o Narguilê começou a tocar e a gente desceu. Num show que durou uns 15 minutos, eu percebi que estava bêbado mas que não me importava (mais uma vez) com isso. Monobloco começou, a galera louca da buceta e seis horas da manhã eu ainda tava acordado, porque a mistura de Nobel com patê deu o revestrés e eu tive que botar tudo pra fora.

 

Acordei todo doído, mas com a certeza de que eu fiz um gasto muito do bem feito.

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[diboua]

4 Julho, 2008 · 2 Comentários

1. A gente anda falando de sexo demais e fazendo de menos. Desse jeito, a conta nunca bate e você acaba tendo que bater;

2. Tentar fazer bolinhas com a fumaça do cigarro pode fazer você ficar com um bico que lembra um brioco. É feio, mas é engraçado;

3. Tirando o fato de que eu não queria que o Fluminense perdesse, ver a Aline dizendo “Arrasa” para cada batedor de pênaltis foi uma experiência nova;

4. Depois de um mês voltando a trabalhar em sindicato, um dos aspectos mais importantes a ser lembrado é de como eu evolui no meu sorriso de rapariga. O exercício diário de fazer cara de quem entendeu prum senhor que até hoje eu não entendo o que ele fala me deu super meios de aperfeiçoamento da minha cara de origami feliz;

5. Bitter:Sweet é bom para preliminares;

6. Mashups são coisas difíceis de dar certo, mas quando dão é bom demar;

7. Eu realmente cheguei ao nível de não precisar mais me preocupar em vômito depois de grandes doses alcoólicas. Mas ainda não experimentei isso com vinho;

8. Trabalhar o dia inteiro me deixou com a nóia de que tenho cecê. Por isso, dependendo do meu grau de intimidade com você, eu vou pedir que me cheire;

9. Só agora eu realizei que, quando seu emprego te paga de 15 em 15 dias, você não pode colocar todas as suas contas no início do mês. Senão você passa fome (apesar de que o drama é super bom para conseguir uns free dinners);

10. Eu tenho que aprender que whisky é para degustar e não para comer com farinha entornar. Mas é porque Johnnie Walker Black digratis é algo que me faz criar idéias de estoque. Na minha barriga.

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[será que cabe todo mundo?]

2 Julho, 2008 · 6 Comentários

vibe seriedade. caso você curta só a putaria, pule esse texto

Meu irmão tem onze anos e as únicas preocupações dele são vídeo-game e futebol. Quando perguntado se já sabe o que vai ser quando crescer, ele desconversa com um sorriso, mas não tem a mínima idéia do quanto isso vai ser importante.

Meu irmão é, ao olhar direto, branco. Vem de uma família de classe média baixa, mas sempre estudou em escola particular, assim como eu, que me formei em uma universidade pública, e a minha irmã, que estuda em uma privada.

Ou seja, provavelmente quando ele for prestar o vestibular, ele terá de concorrer não só contra a inteligência dos outros candidatos, mas também contra um número bem menor de vagas já que ele não se enquadra dentro dos requisitos necessários às cotas.

O Senado aprovou um projeto que pode transformar em lei essas políticas de cotas cada vez mais adotadas pelas universidades públicas. De acordo com o projeto “50% das vagas em universidades federais e instituições públicas de educação profissional e tecnológica serão reservadas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino fundamental em escolas públicas.

Além disso, dentro da cota, devem ser incluídas vagas específicas para negros, pardos e índios de forma proporcional à população do estado onde fica a instituição, além de pessoas com deficiência, independentemente de virem do ensino público.” (G1)

Lembro que a primeira vez em que eu discuti sobre cotas foi durante meu terceiro ano. Um das minhas professoras de história trouxe o assunto à baia e, desde então, eu comecei a enxergar esse ponto de forma parecida com a visão que ela tinha. Ao fazer isso eu aceitei como correta as atitudes governamentais de tentar garantir uma forma de as minorias terem chances mais prováveis de possuir um curso superior.

Para mim, às políticas de cotas surgem como medidas que vão surtir efeito à longo prazo. De forma um pouco utópica, até porque o futuro de ninguém está garantindo com um diploma, ao fazer com que uma pessoa inclusa nessas minorias pensadas pelo governo tenha maiores chances de cursar uma universidade ela pode ter mais chances no mercado de trabalho.

Ao ter mais chances, um filho que ela tenha vai ter melhores condições de estudo e, como conseqüência, não vai precisar de valer das cotas para adentrar em uma universidade pública. Como eu disse, bem utópico. As variáveis envolvidas no processo fazem com ele tenha falhas que podem arruinar todo o esforço, mas é o viés da educação que me agrada.

Ao colocarmos a possibilidade de uma melhor educação como o necessário para que a pessoa tenha melhores condições de vida, se faz uma espécie de celebração da própria idéia da informação como uma das mais fortes moedas de valor atual. Mas, claro, tudo isso tem de ser pensando não só como projeto. Estudar em universidade pública não significa ter tudo de graça.

E, claro, pensar em estudantes mal formados em seu ensino médio competindo dentro de sala com outros oriundos das melhores escolas pode findar criando outra forma de preconceito, já que eles terão de se esforçar bem mais para acompanhar o curso, pois este não pode perder seu nível por causa dos seus alunos.

E, claro, a idéia de cotas para negros, pardos, índios exclui o fato de que, dentro dessas minorias, existem pessoas com mais condições financeiras do que outras. O ex-ministro da Educação, Paulo Renato Souza (PSDB-SP) pretende alterar o projeto, dando privilégios à estudantes de famílias com até três salários mínimos.

“Dentro desse 50%, metade para alunos que vem de famílias com salário até três salários mínimos, para os mais pobres. Nós estaríamos privilegiando os negros pobres, os pardos pobres, os brancos pobres e estaríamos protegendo inclusive dentro da cota”, disse o deputado ao G1. Outros ainda crêem que medidas como essa são discriminatórias, já que dividem os estudantes entre quem precisou e quem não precisou de cotas.

Outro ponto é aquele que as cotas jogam o problema do ensino público brasileiro para a universidade, quando o problema está nele. Com já dito, a universidade não pode ter seu nível diminuído por conta das diferenças entre os ensinos e isso pode vir a acontecer nessa mistura feita sob força de lei.

Eu ainda acho que elas devam existir. Não só como uma forma de pagar uma dívida social que todos temos com essas minorias, mas também como mais um aspecto que ajude na melhoria do próprio nível de conhecimento da população. Se isso pode ser correto, ainda não se sabe. Mas há que se ter certeza de que algo tem que ser feito.

PS: ainda tem o lance do ProUni, mas esse eu falo em outro texto…

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[our work is never over]

30 Junho, 2008 · 3 Comentários

Paixão é uma merda grande mesmo porque usa a tua carência como forma de fuder com a sua vida. Naquela velha história de tentarmos achar complementos, a gente relega importância à qualidades que são básicas em qualquer ser humano simples, seja ele flamenguista, católico ortodoxo ou ministro.

 

Daí nos vemos achando que tudo é lindo naquela pessoa, só porque ela conta piadas que faz você rir (“Sabe aquela dos dois priquitinhos conversando?”) ou porque assiste aos filmes que você considera indispensáveis (“I love Woody Allen”) ou até quando ela canta uma bossa e você a acha culta. Quando a gente entende bem que saber a letra de “Wave” é algo que nasce conosco.

 

E quanto mais rápido essa paixão tem que ser barrada, mais dor ela causa. Você pode até pensar que são fins de namoro de anos que causam os verdadeiros broken hearts, mas eu acho que são as paixões de duas semanas que fazem com que percebamos o quanto somos losers.

 

Imagina aí você na merda completa e conhece uma pessoa que preenche os requisitos básicos já citados acima: filmes, música e um desejo enorme de participar de festas que aconteçam em prostíbulos no centro da cidade passar a tarde inteira conversando sobre todos os pequenos deleites do universo.

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No dia seguinte, após esse momento arrebatador em que você joga todas as suas cartas nas possibilidades iminentes surgidas em uma mesa de bar, a ligação acontece e, depois de mais um programinha sem sentido, rola aquela vibe pegação que, extremamente necessária, fecha completo com a ilusão de felizes para sempre que qualquer um tem quando se apaixona.

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Aí, já viu, né? Todos os meses em que você passou em rodadas furtivas parecem sem sentido, quando, na verdade, simplesmente um encaixe estilo Lego aconteceu, mas quem se preocupa? O lance é acreditar mesmo que vá haver uma Superbonder-espectral-temporal-aurora boreal que vá garantir que os filmes básicos, as musiquinhas básicas e até mesmo a pegação básica possam se tornar únicas. Paixão, portanto.

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Uma (ou duas, ou três, ou várias) semanas depois, a verdadeira face escondida por entre as citações retiradas do Wikipedia se mostra e entre aqueles filmes você acha um do Van Damme, entre as músicas rola Mala Sem Alça e que até o sexo é meia boca, você que estava seco (a). Ou, pior, a pessoa vê isso em você.

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A dor é maior porque você se arrepende de ter se deixado arrebatar. Amor de muito tempo acaba, mas se tem tempo deu para saber conviver com aqueles defeitos que surgiram no decorrer do relacionamento, em uma espécie de resignação sem auto-anulação. Isso ou mantém-se a jornada infinita de tentar mudar a pessoa que se ama, não acabando nunca e sempre achando que mais um ano pode fazer tudo perfeito . Mas, sendo um ou outro, há uma certa razão incutida na expectativa.

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Quando é a paixão cega que se aquieta de uma vez a raiva que você tem é de você. Uma sucessão de auto-perguntas, querendo saber o porquê de tanto desejo em algo que dá para se encontrar em qualquer rodada em festinhas indies. Não é querendo diminuir a dor daqueles que amam, até porque amor é algo bem diferente de paixão e um nem é conseqüência do outro.

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Mas é porque tem horas que a gente se sente muito puto em ser tão cego.

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[deathly joke]

30 Junho, 2008 · 2 Comentários

18 dias

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[olhos fechados]

23 Junho, 2008 · 5 Comentários

Hoje eu sonhei muito. Colegas que ligavam para dizer sobre conquistas amorosas , quando na vida acordada a gente só fala de cerveja e música, ao mesmo tempo em que eu me surpreendia com a sua sinceridade. Correria em uma rua grande e escura, com postes mal distribuídos mas sem qualquer idéia de medo, somente um tom verde lodo nas luzes que não me deixava ver o chão direito. E uma sensação estranha de depressão misturada com loucura, na qual eu escrevia no chão “Não pise. Tinta fresca” só para ver alguém pisar e eu ser tomado no abraço da minha mãe, ouvindo “Here comes the Sun”, dos Beatles, chorando e chorando sem acreditar que ele pudesse nascer de novo. E, mesmo assim, ela alisava a minha cabeça…

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[seje tosco, mas converse sobre a miséria global]

19 Junho, 2008 · 4 Comentários

[a graça está no final, mas eu adoraria saber opiniões sobre os assuntos discutidos]

Nat diz:

meu deus, doido… o mundo tá tão de pernas pro ar… ou sou eu que to lendo mtas notícias

Nat diz:

mas eu acho que a gnt tá perto de um grande colapso

Nat diz:

a alta do petróleo

Nat diz:

a falta de alimentos

.

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

a violencia das gangues

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

até alertei o pedro

.

Nat diz:

hoje eu to vendo aqui que as bolsas da ásia caíram hoje por conta da china

.

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

pra ele ter cuidado em sampa

.

Nat diz:

aí lendo uma matéria ontem na galileu (eu sempre achei a galileu uma revista meio conspiratória)

.

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

é o nome

.

Nat diz:

eles dando exemplos do que tem acontecido pelo mundo

Nat diz:

que tá sofrendo com a falta de alimentos

Nat diz:

aí não se sabe se a culpa é dos biocombustíveis (pq os eua tão querendo toda a produção de milho do universo)

Nat diz:

pra produzir etanol

Nat diz:

ou se é da alta do petróleo

Nat diz:

aí acontece aquela merda lá em myanmar, morre um bocado de gente, prejudica um monte de plantação de arroz\

Nat diz:

a galera lá morrendo de fome e o exercito (que é quem manda no país) aproveitando a alta dos alimentos pra vender os estoques de arroz, doido

Nat diz:

vai anotando aí que é certeza que vai ser questão no estadão. essa crise de alimentos

Nat diz:

enquanto isso os militares do rio de janeiro entregam presos pra traficantes

Nat diz:

e vai tudo ficando por isso mesmo

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

demais… ah cara… eu sempre penso em tudo que a humanidade já passou… apesar que, pela primeira vez, o colapso é mais natural

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

mesmo que causado pela miséria humana

.

Nat diz:

rafa, mas eu penso cara, q dps daqui n tem pra onde correr

Nat diz:

até bem pouco tempo atrás, a gente tava em guerra por motivos econômicos e tentando estabelecer uma ordem política que desse certo

Nat diz:

aí o capitalismo ganhou e o mundo tá num caminho de ida sem volta

Nat diz:

as pessoas têm que ser competitivas igual aos americanos, que são quem manda]m no mundo

Nat diz:

eu tava conversando com o brandon um dia desses na wizard e ele dizendo que acha um absurdo pessoas quererem trabalhar no governo, ser concursados pra ter estabilidade e passar a vida fazendo o que nao gostam por estabilidade

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

aí vem um pais gigantesco como a china repetindo as mesmas ações que os eua mas de forma bem mais predatória, ja que o lance de respeito ao ser humano lá é quase zero

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Nat diz:

ele acha q tudo tem que ser privado, pra estimular a competitividade e as pessoas estudarem cada vez mais, pra se dedicarem cada vez mais e tentarem ser melhores que os outros, pra não ficar sem emprego

Nat diz:

isso

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

essa visao do brandon é bem norte americana

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

engraçado esses professores nativos

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

eles vem pra cá e ficam chocados com a nossa tentativa de se dar bem

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Nat diz:

pois é

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

sem perceber que tem tanta gente nao se dando

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Nat diz:

ele criticando greve

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

e acham que somos egoístas

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Nat diz:

eu tb n concordo com greve, mas dizer que essas pessoas que fazem greve podem procurar um emprego melhor pq tá sobrando emprego aí, pra mim, é ser um pouco rude demais

Nat diz:

pq lá nos eua, vc trabalha num restaurante pra ganhar o seu, mas tem uma escola que preste, que vai te dar base pra vc fazer oq ue quer que seja

Nat diz:

e um motorista desse de onibus, doido… sabe nem escrever o nome direito… só se ele for procurar um emprego melhor de motorista de onibus

.

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

eu penso cm o meu pai

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

trabalho existe, emprego nao

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

essa é a questão

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

nao dá pra viver fazendo qualquer coisa

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

dá pra sobreviver

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

então, é saber até onde vai seu limite

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

nisso vem toda uma questao de honra, educação

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

nós, por exemplo, nao nos imaginamos

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

agora

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Nat diz:

cara… emprego existe um monte. agora o brasileiro n tem estudo, rafael.

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

trabalhando de motorista de onibus

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

mas se só tiver isso, a gente tem que fazer

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Nat diz:

o brandon me falando que tá louco por um professor de ingles

Nat diz:

que ele contrataria na hora

Nat diz:

secretária

Nat diz:

era q só chegar e ele contrataria

Nat diz:

mas as pessoas aqui acham que pq secretária é um emprego pequeno, n fazem nenhum curso de aperfeiçoamento, sabe?

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

aqui em teresina é a maior reclamação de todas… quando faço materia de negocios, sempre tem esse assunto no meio

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

de que ng se atualiza

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

ng quer aprender mais

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

e tu sabe quem são essas pessoas, né?

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

é a classe média

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

que se fecha em um mundinho em que nao sabe se posicionar

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

pq de um lado ve pessoas mt ricas

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

e do outro, pobres, quase iguais a elas

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

mas q elas nao se aproximam

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Nat diz:

eu tinha mta vontade de ser secretária, qnd era menos

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

vê, por exemplo, o musica para todos

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Nat diz:

menor

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

lá, a maioria é de pessoas carentes

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

quando todo mundo pode fazer

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Nat diz:

mas eu sei que, com um diploma de jornalista, se um dia eu inventar de ser secretária em algum lugar, vão cair emcima de mim e é com gosto

.

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

mas a classe media nao quer se envolver

.

Nat diz:

e é pq eu tenho certeza q tem secretária que recebe muito melhor q um jornalista

Nat diz:

minha mae msm, era secretária de um órgão extinto do governo e ganhava até mais que meu pai

Nat diz:

só pra atender telefone e anotar recado

Nat diz:

hahiauahiuaiuahiuahaiuhaiuhaiauha

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

eu li um blog duma menina que vai pra nova jersey

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

e mostrando que ela vai ganhar axo q 300 dolars por semana

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

pra fazer isso

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

e dizendo que amou pq vai viver de beber cerveja e ir ao mini golfe

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Nat diz:

e no golfe ela pode até arranjar um partidão

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

demais… analisa pelas bolas (sorry!)

Nat diz:

melhor pelos tacos, não?

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

HAUHAUAUAUAUHAUHUAHUAHUA

[aniversário da minha irmã em picos] diz:

meu deeeeeeeeeeeeus doido

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Nat diz:

hhahahahahaha

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[aniversário da minha irmã em picos] diz:

pq a gente é assim?

→ 4 CommentsCategorias: [listas] · egoísmo

[smash!]

17 Junho, 2008 · 4 Comentários

É difícil julgar um filme de super-herói. Primeiro porque, normalmente, a maioria dos que vão assisti-lo não são fãs do personagem, apenas o conhecem por conta de todo o hype que existe em cima deles, que é constante. Depois, por causa dos fãs ardorosos, que tratam os quadrinhos como guias de conduta moral com super-poderes e acham que qualquer alteração na trama é heresia.

Chegar a um consenso é tarefa complicada, mas não impossível. Basta assistir os dois X-men de Brian Synger, o Batman Begins de Christopher Nolan ou os dois Homem-Aranha de Sam Raimi (o terceiro não conta) para perceber isso. Mas, muito daí tem relação com o personagem retratado. Bruce Wayne com peitinhos na bat-roupa quase assassinou a franquia, mas ninguém iria querer um Peter Parker sem ironia.

Daí, sempre que eu penso em um filme do Hulk eu imagino muita coisa sendo destruída. Um ser de 472 quilos que fica mais forte quando mais raiva tem não pode ficar tomando chá das cinco com a rainha. Mas, diante de toda a dicotomia com sua versão humana, tendo “O médico e o monstro” como referência, dá pra saber que existe uma discussão mais profunda pelo meio.

Equilibrar isso à contento foi a tarefa passada para o ainda verde (!) diretor Louis Leterrier em O Incrível Hulk (The Incredible Hulk, EUA, 2008). De início, o cara teria de lucrar, já que a abordagem psicológica dada por Ang Lee na sua versão do gigante esmeralda de 2003 foi cinematograficamente bela, mas sem a pitada de blockbuster que um filme de herói pede e acabou não indo bem na hora da grana.

E, o que faltou em 2003, sobra em 2008. Sem essa de conversas mais profundas sobre a dificuldade humana de controlar o seu lado mais animalesco. Aqui o animal é verde e sempre zangado, quebrando tudo o que for possível para não ser capturado pelo Exército Americano.

Encarnado com a fragilidade correta de Bruce Banner por Edward Norton, mas sem o tempo necessário para divisarmos mais as duas personalidades, esse novo filme patina no que toca a necessidade que os super-heróis têm de despertar discussões, principalmente quando se pensa nos seus limites enquanto seres dotados de poderes além dos humanos normais.

Mas é ideal na capacidade de nos deixar intensos, querendo, realmente, esmagar tudo. Os efeitos especiais estão, como era de se esperar, anos-luz daqueles vistos em 2003, fazendo com que o visual até nos deixe esquecer a importância de uma história mais aprofundada. Junto à isso rios de referências, que fazem alegria de qualquer fã, com alusões à seqüência e à outros filmes da Marvel Studios.

O Incrível Hulk finda não sendo um filme ruim, aliás, longe disso. Ele garante a diversão esperado por um filme de super-herói, mesmo pecando em detalhes que, se não comprometem uma diversão com mais cérebro, acabam por evidenciar as falhas quando você resolver escrever sobre ele quatro dias após vê-lo. Mas, com sorte, a Marvel aprende.

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